N/A: Gostaria de deixar uma coisa bem clara: da mesma forma como sempre é dito no final das novelas (ou pelo menos, sempre era) e dos seriados policiais, como Cold Case, nenhum fato ou personagem é real, é tudo ficção e qualquer ponto em comum com a realidade é mera coincidência.
Bom, por favor, comentem! Preciso saber se vocês (seja lá quem vocês sejam) estão achando. Obrigada por ler e bom feriado pra todos! ;D
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Não era como o mundo que um dia conheci, o “mundo lá fora” que um dia eu havia visto, mas também não era como um mundo de sonhos. Era um bolha, sim, mas não uma bolha de sabão, cristalina e translúcida, por onde a luz se filtra em arco-íris.
Era uma bolha de sangue. Densa, escura, distorcida e incompleta, incapaz de flutuar como as de sabão, por onde nada passa e que sempre deixam marcas.
Tudo aqui se pune. Em todo lugar, creio, por mais que não conheça muito desse que chamam “O mundo lá fora”.
-Não deve valer a pena. – comentei, do outro lado da porta. Era muito cedo ainda.
-Claro que vale! Talvez não pra você, mas pra nós, valeria tudo! – respondeu-me a voz do outro lado.
-Não fale no plural, me faz pensar que estou falando com uma massa devoradora de humanos. E não vale a pena, já lhe disse. Tanto aqui, como em Roma ou em Veneza ou em qualquer lugar lá fora, vai ser a mesma coisa.
-Terei liberdade para ir e vir e dizer o que quiser.
-Não conte com isso, menino. Não há como você sair do rebanho, eu realmente sinto muito, mas, não ponha tudo a perder, você ainda é um dos favoritos.
-Não os defenda. – aquela ferocidade na voz jovem era tão infantil. Não, ele nunca cresceu. – Você nunca esteve aqui, do lado de cá, nunca esteve num calabouço sujo, onde as pessoas gritam e agonizam…
-Se quiser rebelar-se, vá em frente. Ninguém neste lugar, nem lá em cima, nem aqui embaixo, entenderia o lugar de onde vim… Não sei de minha família e já faz tanto tempo… – Ou seriam somente alguns meses? No lugar onde estive, da última vez em que minha pele ainda era cálida, tudo parecia lento demais e, ao mesmo tempo, rápido demais… Pareceram-me muitos séculos. – Não se julgue tão digno de pena. Tornar-se-á um deles se continuar assim.
Não esperei resposta naquela manhã. Subi. Aquele lugar me deprimia e, além do mais, por que não aproveitar do dom que somente eu possuia?
Os róseos dedos d’Aurora filtravam-se pelo teto abobadado, tímidos. Tão falso! Tão vil! No doce silêncio da matina, parecia uma bolha de sabão inocente, inofensiva.
-Quanta mentira – murmurei, os olhos fechados à luz tênue e – Quanta ironia! – vermelha.
Olhei para as janelas lá no alto, demorei-me no tom carmesim do vidro que as compunha, imaginei-me lá fora, no fervor de Roma, entre tantos que chegaria a tornar-me ninguém… Ninguém especial… Ah! Se um dia eu pudesse ter sido tão inútil, talvez não estivesse aqui agora.
Não poderia prever, enquanto o torpor do “sono” me paralisava, que naquela noite eu veria muitas bolhas de sangue.
…
-Eu não te disse para não fazer nenhuma idiotice antes? Onde estão seus amigos agora? Onde está o “nós” agora? – as palavras sairam como se tivessem vontade própria, assim que o vi imobilizado em minha Gaiola de Suspensão (N/A: Pelo que me consta, Gaiola de Suspensão era um “instrumento de tortura” no formato de uma gaiola onde a pessoa só podia ficar em uma posição – ao que parece, em pé. O condenado ficava lá por um certo tempo, dependendo, até a morte. Queria ter usado o Violino da Desonra, mas só vi isso em um lugar e me faltavam fotos e fontes, então… ¬¬’). – Bom, pelo menos agora você sabe de onde eu venho.
Não haveria olhar suplicante que me fizesse parar. Agradava-me ver as bolhas carmesim sobre a pele rósea, quentes como somente o sangue pode ser. Além do que, odeio gente estúpida…
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N/A²: Existem bolhas de sangue. Aparece antes de qualquer outro tipo de bolha no Google. Acho que esse texto ficou um pouquinho melhor que o anterior, mas, estou só me aquecendo >D
Obrigada por ler e voltem sempre!
