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N/A: A essa altura, eu já deveria ter estudado História e ter ido dormir. Não consigo fazer nem um, nem outro.
Isso faz com que eu me sinta culpada. E só de pensar que ainda faltam 45 temas, é de desanimar… T_T
Tenho pensado muito em Conde Cain ultimamente. A mangaká adorava contos de fada, como eu também gosto. Ao final do post eu explico o que é “Golden Afternoon”.
Bom, boa leitura!

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Era uma manhã cálida de Junho do ano de 1970. Londres parecia tão cheia de vida lá fora, mas dentro daquela casa, tudo estava morto. Até suas lembranças tinham morrido.
Sua pequena musa fugira e a polícia a procurava. Seria sua culpa? Sua e de suas histórias fantasiosas?
Em momentos como aqueles, desejava ter escutado aos conselhos dos demais. Era sempre o mesmo aviso, para o qual ele sempre rolava os olhos:
-Lewis, por favor, não comece com essas suas histórias. A menina é instável, inclinada a ter alucinações.
E a resposta era sempre a mesma:
-Que mal há em entreter um pouco a pobre? Ela sequer pode brincar como as demais crianças por causa da saúde, por que ela não pode sonhar como as outras?
Eles se davam tão bem. Talvez porque não fosse como os demais com quem conviviam.
Que mal havia? Agora ele sabia.
-Blá, blá, blá… Devaneio Psicótico… Blá, blá, blá… Ela confundiu a realidade com a ficção… Blá, blá, blá… – dizia o delegado à imprensa, mas Lewis só ouvia um terço de tudo o que era falado.
Como ele poderia prever o futuro? Como ele poderia saber que ela, aquela menina tão doce e tão frágil, poderia matar quase uma família inteira?
Ele nem viu Lorina se aproximar. Ela tinha sobrevivido por pura sorte.
-Lewis, – fazia tempo, mas as coisas pareciam ter retrocedido anos e lá estava ela, tão jovem novamente. Quase podia ouvir as vozes das irmãs – Não pense que a conhece ainda. Conhecia, mas fazem dez anos já. Ela cresceu, nós crescemos. Tempo demais.
-Ela nunca esqueceu, não é? – Onde acharia coragem para encará-la?
-Nunca. Suas histórias sempre estarão com ela. Pena ter que ser assim. Mas, não se culpe, aconteceria mais hora, menos hora. – ela suspirou, dando-lhe as costas.
A poucos metros dele, virou-se novamente:
-Lewis, se encontrá-la… Fuja. Não pense em nada, apenas fuja. Esqueça-se da menina Alice que um dia você conheceu. Ela não existe mais.
-E é tudo minha culpa – murmurou para si, assim que não mais ouviu os passos de Lorina escada abaixo.

Parecia ter o triplo de sua idade. Resmungava como um velho. Pensava sempre nos fatos passados, pensava sempre em Alice. Todos lhe diziam que ele era jovem demais para estar assim.
Se ele tivesse ficado por perto, ela teria melhorado? Se não a tivessem obrigado a se casar, ela teria feito aquilo ainda assim? Não era fácil prever o que se passaria pela cabeça dela, o que desequilibrara tudo.
Era tarde. Tarde de Junho, 1970. Tarde demais para ela.
Chegava em casa. Tinha ido a pé mesmo, queria pensar. O portão estava escancarado e ele ouviu um chamado muito baixo vindo do fim da rua.
Margareth e David, dois dos empregados da casa, pareciam estar esperando por ele. Percebeu que eles se preparavam para correr a qualquer momento. Margareth tinha o vestido manchado de sangue.
-Pegou Diana e Arnold, e o senhor tem que…
Mas ele não estava mais ouvindo. Lewis imediatamente entendeu. Ela estava lá, estava lá!
Correu para dentro da residência, ainda ouvindo os gritos de alerta dos dois lá fora. Logo a polícia chegaria e talvez ele nunca mais a visse…
-Alice! – gritou a plenos pulmões, risonho. Por um momento, achou que poderia salvá-la, poderia ajudá-la, trazê-la de volta! – Alice!
Procurou por toda a casa, até avistá-la no jardim de inverno. Uma voz gritava dentro de Lewis “Fuja enquanto ainda há tempo!”, porém não havia ninguém que pudesse colocar juízo em sua cabeça agora.
-Grite até ficar rouca – disse para si mesmo, ignorando tudo. Não havia mais nada no mundo, só o jardim de inverno e Alice encostada em alguma árvore qualquer com um machado na mão. Ela ficava linda mesmo com sangue seco no rosto, nas mãos e nas pernas. Seus olhos azuis eram lindos, mesmo queimando em insanidade! Ela parecia um anjo. Mesmo que fosse um anjo caído, ainda era um anjo, não era?
Ela estava se aproximando. Cada vez mais próxima. Ergueu a lâmina para ele e somente aí ele percebeu o perigo.
Era tarde. Tarde de Junho, 1970. Tarde para salvar Alice, o grande amor de sua vida. Tarde demais para salvar-se…

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N/A: Golden afternoon se refere, se não me falha a memória, à uma tarde em que Lewis Carroll esteve contando histórias à Alice Lidell e suas duas irmãs (Lorina e Edith). Bom, até eu pegar meus exemplares de Conde Cain e achar o lugar onde essa informação está, vai demorar muito, então, não vou dar certeza. É uma “Universo Alternativo” muito básica e bem batida, mas ficou melhor que a dos comprimidos, né? ;P
Bom, obrigada por ler e até a próxima!

Névoa Envenenada

N/A: Criei esse conto na escola, há 2 anos. Eu estava mesmo na onda “Conde Cain”, dá pra ver claramente! *-* Bons tempos aqueles! Que saudade do Cain i—i
Pode ser que venha continuação por aí. Sempre quis dar continuidade! *—* Quem sabe agora?
Por enquanto, é um texto só pra estreiar o blog. Acho que mudei muito desde quando o escrevi, então, não se assustem! /rsrs/
Bom, aproveitem! Aguardo comentários com sugestões e críticas CONSTRUTIVAS!
Obrigada desde já e até breve!

 

Névoa envenenada

Junho de 1840, Londres, na Inglaterra Vitoriana.
Uma poderosa família de duques se reúne para o velório de Justine, uma senhora reclusa que vivia em seu ateliê, tentando terminar um certo quadro, que não permitia que ninguém visse.
A morte da senhora estava sendo muito comentada, por desconfiarem que ela foi assassinada.
Entre os familiares, tão frios e ambiciosos, o assunto era a herança.
O filho mais velho de Justine, Joseph, não se conformava com o fato da mãe ter deixado tudo para Griford, o único filho de sua irmã caçula.
-Isso só pode ser falso! – bradou, jogando os papéis sobre a mesa.
-Acha mesmo que isso seja falso, Joseph? – questionou um dos primos, do outro lado do cômodo.
-Penso que sim.Não tinha porque ela deixar tudo para ele!Eu sou o filho mais velho e tudo aqui é meu por direito!
-Ela fez bem em não lhe deixar nada! – uma senhora de uns cinqüenta anos levantou-se.
-A senhora ficará contra mim, tia Eleonora?
-Todos aqui sabem que você queria, mesmo, a herança.Não se importava nem um pouco com a minha irmã!
-Por favor, senhora minha tia, não diga bobagens!
-Se ela estivesse morta, você sairia lucrando!
-Está me acusando?Eu seria incapaz de mata-la!
-Por dinheiro você é capaz de tudo! – retrucou Eleonora.
Não demorou muito e todos estavam discutindo e se acusando.
Até que uma moça, alta, de uns trinta e poucos anos, olhos verdes e expressivos, de longos cabelos negros, adentra o cômodo.É recebida friamente por Eleonora:
-Está atrasada, Merediana.
-Eu sei.Sobre o que falavam? – questionou, em tom simpático.
-Estávamos comentando sobre como Joseph lucraria se minha irmã morresse. – ironizou a senhora.
-Não admito que me acuse desse jeito! – defendeu-se o homem.
-Acho que nossa tia tem razão.Soube que esteve aqui durante toda a última semana de vida da tia Justine. – comentou Merediana.
-Está inventando coisas. – disse, calmo.
-Você e aquele pupilo, digamos assim, de sua mãe.Como era o nome dele mesmo? – continuou, pensativa.
-Como sabe disso? – tia Eleonora surpreendeu-se.
-Todos têm seu preço, minha tia. – falou, com um sorriso sarcástico.
-Estão a me acusar, mas nem desconfiaram de Griford!
-Ora, Joseph!Não adianta envolve-lo nessa história!
-Estamos aqui, preocupados em achar um culpado e nem cogitamos o suicídio. – sugeriu alguém.
-Ai, meu Deus! – uma jovem de cabelos loiros, presos em um coque, levantou-se, apavorada – Isso é um pecado mortal!
-Anne, contenha-se! – ralhou Eleonora, tentando disfarçar o espanto.
-Tia Justine era muito religiosa, não faria isso. – tornou a dizer Anne.
-Era.Até a filha morrer. – corrigiu Merediana.
-Eu me recuso a acreditar nisso! – Eleonora estava pálida.
-Não creio que ela tenha feito algo assim. – comentou Merediana.
-Se pretende me acusar, desista! – disse Joseph – Pela última vez, não estive aqui na última semana de vida de minha mãe!
-Torno a dizer que esteve aqui, sim.Pergunte a qualquer um que trabalha ou reside aqui…
Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, uma criada entra, esbaforida e sem cor:
-O ateliê está em chamas!E há alguém lá dentro!
Foi um Deus-nos-acuda!Gente correndo de um lado para o outro, algumas pessoas chegaram a desmaiar, mas, no final, ninguém se feriu e tudo acabou bem.Para alguns…
No meio da confusão Joseph sumiu. Foi encontrado por um dos criados, morto.Tinha sido suicídio.
-Quer prova maior que essa? – foi o que disse Merediana, quando soube.
O ateliê foi totalmente destruído.A polícia chegou à conclusão de que alguém ateou fogo no lugar.A criada que alegou ter visto alguém lá, disse não saber de quem se tratava.
Quanto àquele quadro, não se sabe se foi destruído pelo fogo ou levado pelo indivíduo que invadiu o ateliê.
Afinal, por que Justine não permitia que ninguém visse o que estava pintando?Teria sido por causa do quadro que a assassinaram?Existem mais coisas por trás disso?
São perguntas que somente o tempo, talvez nem ele, nem ninguém, pode responder.

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