Entradas Recentes »

7. “Primavera”

N/A: Porque um projeto como esse também carece de temas clichês, temas simples… E precisamos de um pouquinho de leveza nesses posts. Boa leitura, fantasminhas! ^.~/

×÷·.·´¯`·)»(¯`·._)«(·´¯`·.·÷×

O parquinho vazio. Os balanços rangendo. O vento fresco e molhado antes da garoa, o céu laranja e lilás. Fim do dia.
Pena. Poderia ter passado mais devagar esse dia.
Os hibiscos debruçam-se, enroscam-se na grade antiga, as Marias-Sem-Vergonha saltam coloridas por entre as folhas. O farfalhar das árvores, a brisa gentil derrubando uma e outra folha. O cheiro fresco de terra.
Lá longe o barulho dos carros. Lá longe, os prédios e as casas… Tão pequenos! Uma pintura… Tudo tão lúdico, manso, distante. Os verdes, os azuis, os vermelhos e os amarelos desbotados nos brinquedos de ferro e madeira. Era como se fosse criança de novo, via-se ali há anos atrás.
Chuva. Rápida e tórrida. Mesmo assim, ainda sentia o Sol batendo em suas costas, os pingos quentes caindo nos braços nus. Colocou-se em pé sobre o balanço onde estava, dando impulsos cada vez maiores, indo para frente e para trás, como se pudesse sonhar em voar de novo! Como quando éramos crianças!
Gargalhava. Não lembrava-se da última vez que tinha rido daquele jeito! Tudo o que sentira desde a última vez que estivera ali foram somente sentimentos ruins. Ódio, rancor, vontade de se vingar do mundo! Tudo o que ela sentia era tristeza, solidão, vazio… Mas, agora, não importava.
Só o que importava era a chuva primaveril que lhe lavava a alma. Suas gargalhadas. Suas felizes memórias de tempos reluzentes.
Por mais que amanhã, quando eu acordar longe daqui e voltar para aquele lugar cinzento e desagradável, eu vá sentir tudo de novo, me corromper novamente… Sofrer mais um dia, sofrer mais muitos dias até voltar ali…

Até que uma nova primavera despertasse-a para a vida novamente.

×÷·.·´¯`·)»(¯`·._)«(·´¯`·.·÷×

N/A: Saudades de “O Despertar da Primavera”… Saudades do Melchi e da Wendla. Da Ilse e do Hanchen. T_T
“Lá vou eu,
Como um barco
Sem rumo e sem farol
Quantos mares eu verei
E quantas luas rubras depois do Sol?”

6. “Negativos”

N/A: Em nome de todas as fotografias na sala da minha avó, de todos os retratos dentro de uma caixa no meu guarda-roupa e de todas aquelas que estão espalhadas em gavetas, mas principalmente em nome de tudo o que elas significam…
(Pois é, hoje eu acordei nostálgica, mas não é como se eu tivesse muitas coisas boas pra lembrar… O que também não significa que eu não tenha nada de bom pra recordar).

(¯`·._.·[°o.O]·._.·´¯)

Arrastou a caixa de plástico até a mesa, onde depositou-a com dificuldade. Abriu as travas de plástico, tirou a tampa. Era um ritual.
Abrir a antiga caixa colorida e tirar todos os álbuns, todos os porta-retratos quebrados, todas as fotos soltas, todos os negativos em seus sacos plásticos. Olhar um por um, chorar por todas, sorrir por todos. Saudades.
De tudo, o que mais gostava eram os negativos. Olhava-os também, por mais que a maioria das pessoas sempre os tenha ignorado.
Negativos tinham vida própria, mais que as fotos em si. As figuras movimentavam-se, como que movidas por sensações, por sentimentos, no lusco-fusco da memória. Não lhe pareciam assustadores, eles que lhe provavam que aquilo não eram só mais impressões em papel diferente. Faziam-lhe lembrar que houve um tempo, que houve um passado, que existiram pessoas e que coisas aconteceram. Lembrar-lhe que não devia, que não podia, esquecê-los. Eles sempre estariam lá para lhe lembrar.
Tempos mais fáceis nas fotos desbotadas. Mais fácil, mas, talvez, não mais feliz.
Queria ver foto por foto, sentir novamente a felicidade dos aniversários infantis em família e rir da confusão que um primo sozinho poderia causar. Queria sentir a alegria das festinhas de adolescente – Não que elas tivessem tido algum tipo de alegria, muitas vezes eram extremamente solitárias, mesmo se estando rodeada de tanta gente. Não eram por eles seu problema, não queria parecer mal-agradecida. Amava-os, eram sua família querida, mas não eram o suficiente na época. Desculpem, eu não sabia. Eram tudo o que eu tinha… Tudo o que eu precisava.
Foto por foto. Rosto por rosto. Fato por fato.
Lembrar do que deveria ter sido para sempre, mas não durou nem um ano. Era bom demais para ser verdade. Não. Nunca foi de verdade. Era fantasia, mentira. Coisa da sua cabeça. A partir do momento em que começou, já se deteriorava, porque, a partir do momento em que eles se conheceram, antes e depois disso, o tempo esteve correndo. E eles cresceram, e a inveja e o remorso e a raiva e toda aquela gama de sentimentos cruéis… E tudo aquilo se infiltrou em suas bases, corrompeu o que sentiam uns pelos outros, e nada mais era suportável, nada mais era perdoável. Só restou o fim. Nada lhe pareceu tão cruel. Não precisava ter terminado assim…
Mas era sua culpa pensar que seria para sempre. Porque… Nada dura.

Somente as fotos e seus negativos.

E aquilo que nos fazem sentir.

(¯`·._.·[°o.O]·._.·´¯)

N/A: A imagem não tem efeito “negativo” porque eu achei melhor assim. Nada do que eu fiz me agradou, então… ¬¬’ Bom, espero que tenham se distraído um pouquinho.
Obrigada por ler e até a próxima!

N/A: A essa altura, eu já deveria ter estudado História e ter ido dormir. Não consigo fazer nem um, nem outro.
Isso faz com que eu me sinta culpada. E só de pensar que ainda faltam 45 temas, é de desanimar… T_T
Tenho pensado muito em Conde Cain ultimamente. A mangaká adorava contos de fada, como eu também gosto. Ao final do post eu explico o que é “Golden Afternoon”.
Bom, boa leitura!

-X_X_X_X_X_X_X-

Era uma manhã cálida de Junho do ano de 1970. Londres parecia tão cheia de vida lá fora, mas dentro daquela casa, tudo estava morto. Até suas lembranças tinham morrido.
Sua pequena musa fugira e a polícia a procurava. Seria sua culpa? Sua e de suas histórias fantasiosas?
Em momentos como aqueles, desejava ter escutado aos conselhos dos demais. Era sempre o mesmo aviso, para o qual ele sempre rolava os olhos:
-Lewis, por favor, não comece com essas suas histórias. A menina é instável, inclinada a ter alucinações.
E a resposta era sempre a mesma:
-Que mal há em entreter um pouco a pobre? Ela sequer pode brincar como as demais crianças por causa da saúde, por que ela não pode sonhar como as outras?
Eles se davam tão bem. Talvez porque não fosse como os demais com quem conviviam.
Que mal havia? Agora ele sabia.
-Blá, blá, blá… Devaneio Psicótico… Blá, blá, blá… Ela confundiu a realidade com a ficção… Blá, blá, blá… – dizia o delegado à imprensa, mas Lewis só ouvia um terço de tudo o que era falado.
Como ele poderia prever o futuro? Como ele poderia saber que ela, aquela menina tão doce e tão frágil, poderia matar quase uma família inteira?
Ele nem viu Lorina se aproximar. Ela tinha sobrevivido por pura sorte.
-Lewis, – fazia tempo, mas as coisas pareciam ter retrocedido anos e lá estava ela, tão jovem novamente. Quase podia ouvir as vozes das irmãs – Não pense que a conhece ainda. Conhecia, mas fazem dez anos já. Ela cresceu, nós crescemos. Tempo demais.
-Ela nunca esqueceu, não é? – Onde acharia coragem para encará-la?
-Nunca. Suas histórias sempre estarão com ela. Pena ter que ser assim. Mas, não se culpe, aconteceria mais hora, menos hora. – ela suspirou, dando-lhe as costas.
A poucos metros dele, virou-se novamente:
-Lewis, se encontrá-la… Fuja. Não pense em nada, apenas fuja. Esqueça-se da menina Alice que um dia você conheceu. Ela não existe mais.
-E é tudo minha culpa – murmurou para si, assim que não mais ouviu os passos de Lorina escada abaixo.

Parecia ter o triplo de sua idade. Resmungava como um velho. Pensava sempre nos fatos passados, pensava sempre em Alice. Todos lhe diziam que ele era jovem demais para estar assim.
Se ele tivesse ficado por perto, ela teria melhorado? Se não a tivessem obrigado a se casar, ela teria feito aquilo ainda assim? Não era fácil prever o que se passaria pela cabeça dela, o que desequilibrara tudo.
Era tarde. Tarde de Junho, 1970. Tarde demais para ela.
Chegava em casa. Tinha ido a pé mesmo, queria pensar. O portão estava escancarado e ele ouviu um chamado muito baixo vindo do fim da rua.
Margareth e David, dois dos empregados da casa, pareciam estar esperando por ele. Percebeu que eles se preparavam para correr a qualquer momento. Margareth tinha o vestido manchado de sangue.
-Pegou Diana e Arnold, e o senhor tem que…
Mas ele não estava mais ouvindo. Lewis imediatamente entendeu. Ela estava lá, estava lá!
Correu para dentro da residência, ainda ouvindo os gritos de alerta dos dois lá fora. Logo a polícia chegaria e talvez ele nunca mais a visse…
-Alice! – gritou a plenos pulmões, risonho. Por um momento, achou que poderia salvá-la, poderia ajudá-la, trazê-la de volta! – Alice!
Procurou por toda a casa, até avistá-la no jardim de inverno. Uma voz gritava dentro de Lewis “Fuja enquanto ainda há tempo!”, porém não havia ninguém que pudesse colocar juízo em sua cabeça agora.
-Grite até ficar rouca – disse para si mesmo, ignorando tudo. Não havia mais nada no mundo, só o jardim de inverno e Alice encostada em alguma árvore qualquer com um machado na mão. Ela ficava linda mesmo com sangue seco no rosto, nas mãos e nas pernas. Seus olhos azuis eram lindos, mesmo queimando em insanidade! Ela parecia um anjo. Mesmo que fosse um anjo caído, ainda era um anjo, não era?
Ela estava se aproximando. Cada vez mais próxima. Ergueu a lâmina para ele e somente aí ele percebeu o perigo.
Era tarde. Tarde de Junho, 1970. Tarde para salvar Alice, o grande amor de sua vida. Tarde demais para salvar-se…

-X_X_X_X_X_X_X-

N/A: Golden afternoon se refere, se não me falha a memória, à uma tarde em que Lewis Carroll esteve contando histórias à Alice Lidell e suas duas irmãs (Lorina e Edith). Bom, até eu pegar meus exemplares de Conde Cain e achar o lugar onde essa informação está, vai demorar muito, então, não vou dar certeza. É uma “Universo Alternativo” muito básica e bem batida, mas ficou melhor que a dos comprimidos, né? ;P
Bom, obrigada por ler e até a próxima!

4.”Monstros lá fora”

Mais uma noite insône. Sabia que se nada fizesse, ia ser como todas muitas noites das quais tinha lembrança: Ficar chorando, apavorada e encolhida em um canto.
Não era nada produtivo, e por isso mesmo fazia cerca de seis meses que começara a ler compulsivamente para não precisar pensar em sua fobia da noite, do escuro, de qualquer coisa da qual não se lembrava, mas que talvez soubesse há 3 anos atrás. Se recusava a usar o computador, se recusava a ligar a televisão na sala, e, se houvesse alguém em casa naquela noite, não iria acordá-las.
Não que ela não dormisse. Dormia, mas só depois da três da matina, e isso se ela estivesse com sorte.
Não queria sair dali, mesmo que não houvesse nada na sala, não queria pagar para ver. Algo em sua mente a impedia de tudo. Era algum tipo de trauma que não conseguia lembrar, mas não a deixava sair, não a deixava viver. Como não lembrar de tal fato?
Deveria ser um daqueles casos em que a mente bloqueava algumas lembranças cruéis. Se era uma tentativa de mantê-la lúcida, dera muito errado, porque ela estava enlouquecendo.
Ecoava em sua cabeça, quando ela estava assim, sozinha e desocupada, as mesmas perguntas daqueles que a cercavam:
“Por que você não sai com a gente hoje à noite?”
“Por que você sempre vai embora com tanta pressa?”
Ou, então, as palavras de incentivo, sempre as mesmas:
“Não se preocupe, nada vai acontecer. Divirta-se”
“Não tem nada lá fora, não tem porque você se preocupar.”
E isso sempre a lembrava do porque nunca contava aquilo a ninguém. Ela já até podia ouvir, quando pensava em falar, a mesma pergunta que, muitas vezes, fez a si mesma: “Por que você não procura um psicologo?”.
Porque não. Não saio, não vou me divertir, me recuso a dizer isso a alguém! Quem acreditaria em sua reposta, em seus medos, em seus relatos? Quem iria acreditar, quem poderia levá-la a sério quando ela dissesse que não saía à noite porque havia monstros lá fora?
Monstros que eram como humanos – e talvez fossem só humanos mesmo, mas isso não os tornava menos atrozes – e com os quais ela sabia que não podia lutar. Talvez já tivesse tentado, quem poderia dizer? Quem a conhecera há 3 anos para poder responder a tal questão?
Não se lembrava, mas todo seu ser sabia – e lhe gritava – que não deveria sair à noite, que não devia ficar no escuro, que não estava segura em outros lugares senão ali. Podia não saber de nada do que ocorrera há 3 anos (um grande branco no meio de sua história), mas ela sabia que tinham monstros lá fora…
E eles a queriam. E como a queriam.

3.”Alguma coisa odiosa”

N/A: Hoje, vou falar mal de alguém. Como ninguém lê, então ninguém vai ver.
Bom, divirtam-se! Afinal, o que é melhor do que ouvir maldades sobre outra pessoa? (6)

°o.O(¯`·._)O.o°(¯`·._)°o.O

“Há, agora sei, alguma coisa odiosa no seu jeito de olhar, no seu jeito de andar, no seu falar… Até na sua maneira de pensar!
Há, sim, alguma coisa odiosa em seus cabelos, em seu olhar, em seus trejeitos… Algo detestável em sua presunção, em sua falsa animação, naquela gentileza exagerada. Sempre com a razão!
Mas que ingratidão! Que decepção! Que humilhação! A minha, claro, por falar tão mal de alguém com tanta desambição (N/A: Modéstia)! De tão bondoso coração!
Tão genial, tão sensacional, tão fenomenal! Que grande animal! Besta celestial! Egoísta descomunal!
Com certeza é você no céu e Deus na Terra. E por que não, magnificência? (Todo mundo bem sabe que isso é alguma deficiência!)
Problema de ego. Falta de sossego. É fogo! (Fogo lá onde você bem sabe.)
Há alguma coisa odiosa em minhas lembranças, as quais tento esquecer, com relutância.
Algo ainda perdura. Parece não haver cura, está em minhas memórias, para sempre a mesma história… Talvez eu ainda te ame.”

°o.O(¯`·._)O.o°(¯`·._)°o.O

N/A²: Alguém acreditou mesmo que eu ia falar mal de outra pessoa aqui? :P Não tenho porque falar mal de ninguém por enquanto. Bom, o texto saiu meio brisado (teria saído melhor se de repente eu não quisesse sair por aí rimando em prosa ¬¬’), mas eu tive a base dessa idéia assistindo “Por amor” e lendo uma história antiga que eu escrevi… Me pareceu meio boba, como essa também vai parecer daqui a um ou dois anos.
Continuem aguardando um bom texto, ele vai sair mais hora, menos hora :P
Obrigada pela atenção! Uma ótima semana!

N/A: Gostaria de deixar uma coisa bem clara: da mesma forma como sempre é dito no final das novelas (ou pelo menos, sempre era) e dos seriados policiais, como Cold Case, nenhum fato ou personagem é real, é tudo ficção e qualquer ponto em comum com a realidade é mera coincidência.
Bom, por favor, comentem! Preciso saber se vocês (seja lá quem vocês sejam) estão achando. Obrigada por ler e bom feriado pra todos! ;D

,.-~*´¨¯¨`*·~-.¸-(__)-,.-~*´¨¯¨`*·~-.¸

Não era como o mundo que um dia conheci, o “mundo lá fora” que um dia eu havia visto, mas também não era como um mundo de sonhos. Era um bolha, sim, mas não uma bolha de sabão, cristalina e translúcida, por onde a luz se filtra em arco-íris.
Era uma bolha de sangue. Densa, escura, distorcida e incompleta, incapaz de flutuar como as de sabão, por onde nada passa e que sempre deixam marcas.
Tudo aqui se pune. Em todo lugar, creio, por mais que não conheça muito desse que chamam “O mundo lá fora”.
-Não deve valer a pena. – comentei, do outro lado da porta. Era muito cedo ainda.
-Claro que vale! Talvez não pra você, mas pra nós, valeria tudo! – respondeu-me a voz do outro lado.
-Não fale no plural, me faz pensar que estou falando com uma massa devoradora de humanos. E não vale a pena, já lhe disse. Tanto aqui, como em Roma ou em Veneza ou em qualquer lugar lá fora, vai ser a mesma coisa.
-Terei liberdade para ir e vir e dizer o que quiser.
-Não conte com isso, menino. Não há como você sair do rebanho, eu realmente sinto muito, mas, não ponha tudo a perder, você ainda é um dos favoritos.
-Não os defenda. – aquela ferocidade na voz jovem era tão infantil. Não, ele nunca cresceu. – Você nunca esteve aqui, do lado de cá, nunca esteve num calabouço sujo, onde as pessoas gritam e agonizam…
-Se quiser rebelar-se, vá em frente. Ninguém neste lugar, nem lá em cima, nem aqui embaixo, entenderia o lugar de onde vim… Não sei de minha família e já faz tanto tempo… – Ou seriam somente alguns meses? No lugar onde estive, da última vez em que minha pele ainda era cálida, tudo parecia lento demais e, ao mesmo tempo, rápido demais… Pareceram-me muitos séculos. – Não se julgue tão digno de pena. Tornar-se-á um deles se continuar assim.
Não esperei resposta naquela manhã. Subi. Aquele lugar me deprimia e, além do mais, por que não aproveitar do dom que somente eu possuia?
Os róseos dedos d’Aurora filtravam-se pelo teto abobadado, tímidos. Tão falso! Tão vil! No doce silêncio da matina, parecia uma bolha de sabão inocente, inofensiva.
-Quanta mentira – murmurei, os olhos fechados à luz tênue e – Quanta ironia! – vermelha.
Olhei para as janelas lá no alto, demorei-me no tom carmesim do vidro que as compunha, imaginei-me lá fora, no fervor de Roma, entre tantos que chegaria a tornar-me ninguém… Ninguém especial… Ah! Se um dia eu pudesse ter sido tão inútil, talvez não estivesse aqui agora.
Não poderia prever, enquanto o torpor do “sono” me paralisava, que naquela noite eu veria muitas bolhas de sangue.

-Eu não te disse para não fazer nenhuma idiotice antes? Onde estão seus amigos agora? Onde está o “nós” agora? – as palavras sairam como se tivessem vontade própria, assim que o vi imobilizado em minha Gaiola de Suspensão (N/A: Pelo que me consta, Gaiola de Suspensão era um “instrumento de tortura” no formato de uma gaiola onde a pessoa só podia ficar em uma posição – ao que parece, em pé. O condenado ficava lá por um certo tempo, dependendo, até a morte. Queria ter usado o Violino da Desonra, mas só vi isso em um lugar e me faltavam fotos e fontes, então… ¬¬’). – Bom, pelo menos agora você sabe de onde eu venho.
Não haveria olhar suplicante que me fizesse parar. Agradava-me ver as bolhas carmesim sobre a pele rósea, quentes como somente o sangue pode ser. Além do que, odeio gente estúpida…

,.-~*´¨¯¨`*·~-.¸-(__)-,.-~*´¨¯¨`*·~-.¸

N/A²: Existem bolhas de sangue. Aparece antes de qualquer outro tipo de bolha no Google. Acho que esse texto ficou um pouquinho melhor que o anterior, mas, estou só me aquecendo >D
Obrigada por ler e voltem sempre! ;)

N/A:  Era pra ser algo mais sombrio, ou algo totalmente fofo, mas não consegui nem um, nem outro. T_T Ficou besta, mas isso é só pra esquentar. O primeiro dos 50 temas. Vou fazer melhor no próximo, juro ;)
Aproveitem e não se assustem, não é dos piores, não. Está até bem fraquinho…
Obrigada e não se esqueçam de deixar seu comentário pra fazer uma criança feliz! ;)

Brincou com o frasco de comprimidos, sacudiu-o, ouvindo os círculos cor-de-rosa se chocarem melodicamente contra o vidro. Era música para seus ouvidos, para todo o seu ser, era a esperada marcha fúnebre.
Pensou em como que algo tão inofensivo, até fofo talvez, pudesse acabar com uma vida tão rápido. Não era tarja preta, nunca precisara daquilo, mas em uma grande quantidade, poderia até matá-la.
Não fazia sentido viver, nunca fizere. Não era uma pancada da vida que a fizera cair, sabia que o mundo era ruim, mas não deveria ser tão mal junto de quem se ama… Ah, sim! Te traíram… O que se pode fazer? Não se vai a lugar algum com a alma destruída, quando tudo o que você construiu, tudo o que você pensou que conseguiria somem num borrão.
30 minutos e estava tudo destruído. Por que tamanha crueldade? Deveria protegê-la, era como sua família, e, na verdade, só estava esperando para puxar o seu tapete!
Que ironia! Uma vez, um dia, fugira para seus braços e agora, não tinha mais para onde correr. O que fazer? O que fazer?
Uma alma sem esperanças? Não existe, é o mesmo dizer que não há nada.
Um corpo sem alma é um corpo morto. O pior tipo de morte. A morte interna é uma agonia.
Convenceu-se de que nada havia além da vida e, se era para arrastar um corpo meio-vivo por mais anos e anos a fio, para no final não haver nada, melhor acabar com aquilo imediatamente.
Agitou novamente o pequeno frasco, o sorriso débil e inseguro. As mãos tremiam enquanto enxugavam os olhos e afastam o cabelo do rosto.
Seus ouvidos foram tomados por silêncio opressor e anormal e ela mal ouviu a tampinha do pote se chocar com o piso do quarto.
Nada de carta. Nada de pompa. Nada de drama, só acabe já com isso. Por favor.
Respirou fundo, fechou os olhos, tomou coragem.
Não ouviu a porta se abrir, não ouviu ninguém se aproximar enquanto continuava a tentar se convencer de que nada havia a ser temido…
Sentiu mãos em seus ombros, ouviu o vidro se estilhaçar em algum canto quando o frasco voou de sua mão.
Foi erguida do chão, o mundo girou ao seu redor e, mesmo não tendo certeza do acontecia, sabia que tinha dado errado e, uma parte de seu ser agradecia àqueles que a impediram.
Pousaram seu corpo na cama, um rosto tampou a luz:
-Eu não acredito que você ia fazer isso! – começou – Eu descuido por um minutinho e olha o que acontece!
Não ouvia mais nada. Uma parte de si sentia-se tão aliviada que chegava a doer. Parecia coisa do destino que ele estivesse ali naquela hora, que ele tivesse conseguido chegar ali exatamente naquela hora depois de dois meses sem contato algum.
-Acho que foi um sinal – murmurou, avoada.
-Sinal? Sinal é o que você vai ganhar quando sua irmã souber! Um sinal roxo e redondo em volta do olho… Sabe, eu queria mesmo ver você engolir tudo aquilo na raça… Queria mesmo. – disse ele, tentando parecer descontraído – Mas, da próxima vez, tente com MM’s, ok?
-Não vai ter próxima vez. – ela bagunçou os fios castanho-escuros, sem se dar conta da posição constrangedora, para dizer o minímo.
A porta se escancarou e os dois pularam, sobressaltados.
-Ah, eu sabia! Eu sabia que você estava rondando a minha irmã! SAFADO! Se aproveitando da inocência da minha pobre irmãzinha…
Ele passou correndo pela porta, com a outra praticamente grudada em seu pescoço.
-Não quero saber! Vou estrangular você! Onde você arranjou uma cópia da chave? Eu quero saber como você entra! – a porta bateu, mas ela ainda ouvia.
Suspirou e esticou-se na cama, as mãos cruzadas na nuca. Tudo pareceu-lhe distante e estranho, como se não fosse com ela, como se nada tivesse acontecido. Era como a lembrança de outro.
Onde estava com a cabeça? Não sabia, mas, agora, ela estava no lugar certo, seus pensamentos pareciam claros novamente.
-Ei… Espera, olha os… – um grito de dor e ela teve certeza de que a irmã achara os cacos. – Eu não disse?

N/A: E exatamente por isso que é deste aqui que vou começar. Tem toda uma história por trás disso, mas eu já cansei de prometer a vocês histórias complicadas de sair… ¬¬’ Então, esqueçam disso, por favor.
Não sou muito boa em poesia, mas, segundo meus universitários (XD), ficou boa. Quando escrevi, pensei em “Crônicas Vampirescas”, Dr. Polidori, Lord Byron… *_* Lélia, de Àlvares de Azevedo… *_* Ninguém deve conhecer esse poema, mas, procurem. Eu achei que a pessoa descrita nele tinha uma cara de vampiro. Bom, musas mortas já mexem com minha imaginação muito fértil, mesmo porque, não sou chegada nos fantasmas.
Lá vamos nós! Como diria uma amiga minha “Rimando e sem métrica!” ;)
Bom, aguardo comentários com opiniões, sugestões e críticas CONSTRUTIVAS. ^.~d

Confissões esquecidas numa Câmara de Tortura

A tortura ainda não terminou

No que me transformei?
É algo com o qual jamais sonhei!
Não há como retoceder,
Até o fim do mundo vou viver.

Tragam suas tochas!
Façam suas apostas!
Venham nos caçar!
Mas, tentem fazê-lo sob a luz do luar!

Temam meus caninos alvos,
Que, à noite, de rubro são banhados.
E tentem se manter a salvo.
Escondam-se atrás de seus crucifixos, amedrontados.*

O sangue quente pulsa em suas veias
Eu o ouço aqui destas ameias.
Quase faz minha boca salivar
Minha mente começa a turvar.

Num minuto,  te alcanço.
E você é o puro encanto,
Qualquer um pode notar
Quase não posso suportar

Mas, viva eu ainda a quero,
Com sua doçura, seu mistério.
Sinto minha sanidade se esvair.
Mon’amour*, não sei se ainda consigo resistir.

Agora estamos sozinhos.
Estás entregue a mim como o mais dócil cordeirinho**
Não consigo compreender.
Não tens medo do que vou lhe fazer?

Me delicia pensar que estamos a sós,
Não há empecilhos entre nós.
Eu finalmente a matarei.
Oh, céus! No que foi que me tornei!

Por favor, não me chame de demônio, menina
Por mais que minha alma esteja irremediavelmente perdida
Não tens como fugir
Não vou deixá-la ir

Oh, não! Não vá embora ainda!
Agora que sabes, tens de ser minha!
Não há como escapar
Seu sangue, meu será!

E realmente vai ser…
Como todos os outros,
Em meus braços vais desfalecer.

* – As duas estrofes de cor diferente se repetiam mais 3 vezes, como um refrão.

* – Pensei em Lestat de Lioncourt nessa parte. É algo que ele diria, mas não sei se para matar, ele não era de matar inocentes, mas, é algo que me pareceu típico dele.
** – Não foi sem querer. Se “cordeirinho” te fez lembrar “Crepúsculo”, você está certo. Eu, particularmente, prefiro Aro e a gaiola das loucas… Digo, Aro e sua corja do que os outros. Bom, em suma, eu não resisti >D

Uma nova chance para nós.

N/A: Por falta de coisa melhor pra postar, estou postando esse texto, que é bem mais recente que o anterior, e não é uma narrativa. Observem bem que esse tipo vai ser raro, porque realmente gosto de narrativas, principalmente extensas, então, um texto reflexivo e breve como esse não vai aparecer com freqüencia. Aguardo comentários! ^w^/
Boa noite e até breve!

-x-x-x-x-x-x-

 

“Não, eu sei que eu errei. Eu sei que eu não pensei na hora, e eu me arrependo. Me desculpa, eu sinto muito.”
Não é algo fácil de dizer, porque, por mais que todos saibam que só se aprende com o erro, ninguém quer cometer nenhum engano. Queremos estar certos. Sempre, se possível. Porque o mundo seria ótimo se todos pudessem acertar de primeira sempre, sem jamais se equivocar.
Não é fácil admitir. É mais fácil se sentir e se fazer vítima da situação, achar que tudo é errado, que o outro tem culpa. Eu sei que é, porque eu já fiz isso. E você já fez isso também. E todos nós, todos ao nosso redor, em todo canto do mundo, gente que nem desconfia disto aqui, também. E não uma ou duas vezes. Não dá para contabilizar quantas vezes as pessoas erram e não querem admitir.
Mas, creio que o pior seria apontar o dedo para uns e outros e berrar: “A culpa é sua!”, porque não é. Mas, também é.
Por mais contraditório que pareça, todos nós somos culpados, e todos nós somos inocentes também. Tudo isso porque somos humanos. Somos reais, impulsivos, falíveis e ambígüos.
Todos temos parte nisso. Somos tão culpados quanto somos inocentes. Somos responsáveis por tudo, de certa forma, sejam nas coisas boas, sejam nas coisas ruins. Porque estamos juntos.
Erramos e, às vezes, repetimos o mesmo erro de uma maneira “inovadora”, para errarmos novamente, chocando-nos no mesmíssimo aspecto da última vez. E isso não é motivo para matar ninguém, porque, imagine se todo mundo fosse para a forca quando errasse. Eu precisaria de mais vidas que um gato para continuar aqui e tentar acertar, a começar pela prova de Física do ano passado.
Eu errei. Eu tentei. Eu fiz de novo. Errei mais uma vez. No mesmo ponto.
Mas, eu tentei do jeito que deu (não que isso seja suficiente).
Nós tentamos, não tentamos? Talvez pensássemos que o passado pudesse voltar, que tudo podia ser singelo e brilhante, como orvalho, mas, por mais que a gente cole o que se partiu, nunca será o mesmo. Por mais que a gente queira, não é possível que seja e, se fosse… Não teria graça nenhuma viver, porque viveria-se eternamente no passado.
Quando se erra, e, depois, se arrepende, é preciso começar de novo. Tudo de novo. Uma nova chance. Mais uma tentativa das muitas que ainda virão.
Talvez não caiba dizer que essa nova tentativa será para todos nós juntos. Talvez não caiba dizer que seja algo que deva ser feito em conjunto.
Quem sabe essa chance seja não somente uma para um todo, mas uma para cada um de nós, para cada parte? Talvez, tentando achar o “tropeço” dentro de nós (Não que isso seja um “defeito” permanente que sempre tenha estado lá), haja uma oportunidade para todos nós, dessa vez, unidos.
Talvez esteja lá atrás, um fantasma que sempre nos atormenta e nos impede de pensar, balançando correntes em nossa cabeça. Talvez esteja aqui e agora, sendo lembrado a cada instante. Talvez seja comigo mesmo. Talvez não. Talvez não seja nada disso. Ou, pode ser tudo isso. Mas, não importa o que seja, vai se resolver.
Pode ser que, ao final, seja completamente diferente do que foi um dia. Ou, pode ser que as coisas recuperem alguns aspectos antigos.
Só o tempo vai mostrar o que é melhor. Enquanto isso, boa sorte para todos nós. Sinceramente.

Névoa Envenenada

N/A: Criei esse conto na escola, há 2 anos. Eu estava mesmo na onda “Conde Cain”, dá pra ver claramente! *-* Bons tempos aqueles! Que saudade do Cain i—i
Pode ser que venha continuação por aí. Sempre quis dar continuidade! *—* Quem sabe agora?
Por enquanto, é um texto só pra estreiar o blog. Acho que mudei muito desde quando o escrevi, então, não se assustem! /rsrs/
Bom, aproveitem! Aguardo comentários com sugestões e críticas CONSTRUTIVAS!
Obrigada desde já e até breve!

 

Névoa envenenada

Junho de 1840, Londres, na Inglaterra Vitoriana.
Uma poderosa família de duques se reúne para o velório de Justine, uma senhora reclusa que vivia em seu ateliê, tentando terminar um certo quadro, que não permitia que ninguém visse.
A morte da senhora estava sendo muito comentada, por desconfiarem que ela foi assassinada.
Entre os familiares, tão frios e ambiciosos, o assunto era a herança.
O filho mais velho de Justine, Joseph, não se conformava com o fato da mãe ter deixado tudo para Griford, o único filho de sua irmã caçula.
-Isso só pode ser falso! – bradou, jogando os papéis sobre a mesa.
-Acha mesmo que isso seja falso, Joseph? – questionou um dos primos, do outro lado do cômodo.
-Penso que sim.Não tinha porque ela deixar tudo para ele!Eu sou o filho mais velho e tudo aqui é meu por direito!
-Ela fez bem em não lhe deixar nada! – uma senhora de uns cinqüenta anos levantou-se.
-A senhora ficará contra mim, tia Eleonora?
-Todos aqui sabem que você queria, mesmo, a herança.Não se importava nem um pouco com a minha irmã!
-Por favor, senhora minha tia, não diga bobagens!
-Se ela estivesse morta, você sairia lucrando!
-Está me acusando?Eu seria incapaz de mata-la!
-Por dinheiro você é capaz de tudo! – retrucou Eleonora.
Não demorou muito e todos estavam discutindo e se acusando.
Até que uma moça, alta, de uns trinta e poucos anos, olhos verdes e expressivos, de longos cabelos negros, adentra o cômodo.É recebida friamente por Eleonora:
-Está atrasada, Merediana.
-Eu sei.Sobre o que falavam? – questionou, em tom simpático.
-Estávamos comentando sobre como Joseph lucraria se minha irmã morresse. – ironizou a senhora.
-Não admito que me acuse desse jeito! – defendeu-se o homem.
-Acho que nossa tia tem razão.Soube que esteve aqui durante toda a última semana de vida da tia Justine. – comentou Merediana.
-Está inventando coisas. – disse, calmo.
-Você e aquele pupilo, digamos assim, de sua mãe.Como era o nome dele mesmo? – continuou, pensativa.
-Como sabe disso? – tia Eleonora surpreendeu-se.
-Todos têm seu preço, minha tia. – falou, com um sorriso sarcástico.
-Estão a me acusar, mas nem desconfiaram de Griford!
-Ora, Joseph!Não adianta envolve-lo nessa história!
-Estamos aqui, preocupados em achar um culpado e nem cogitamos o suicídio. – sugeriu alguém.
-Ai, meu Deus! – uma jovem de cabelos loiros, presos em um coque, levantou-se, apavorada – Isso é um pecado mortal!
-Anne, contenha-se! – ralhou Eleonora, tentando disfarçar o espanto.
-Tia Justine era muito religiosa, não faria isso. – tornou a dizer Anne.
-Era.Até a filha morrer. – corrigiu Merediana.
-Eu me recuso a acreditar nisso! – Eleonora estava pálida.
-Não creio que ela tenha feito algo assim. – comentou Merediana.
-Se pretende me acusar, desista! – disse Joseph – Pela última vez, não estive aqui na última semana de vida de minha mãe!
-Torno a dizer que esteve aqui, sim.Pergunte a qualquer um que trabalha ou reside aqui…
Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, uma criada entra, esbaforida e sem cor:
-O ateliê está em chamas!E há alguém lá dentro!
Foi um Deus-nos-acuda!Gente correndo de um lado para o outro, algumas pessoas chegaram a desmaiar, mas, no final, ninguém se feriu e tudo acabou bem.Para alguns…
No meio da confusão Joseph sumiu. Foi encontrado por um dos criados, morto.Tinha sido suicídio.
-Quer prova maior que essa? – foi o que disse Merediana, quando soube.
O ateliê foi totalmente destruído.A polícia chegou à conclusão de que alguém ateou fogo no lugar.A criada que alegou ter visto alguém lá, disse não saber de quem se tratava.
Quanto àquele quadro, não se sabe se foi destruído pelo fogo ou levado pelo indivíduo que invadiu o ateliê.
Afinal, por que Justine não permitia que ninguém visse o que estava pintando?Teria sido por causa do quadro que a assassinaram?Existem mais coisas por trás disso?
São perguntas que somente o tempo, talvez nem ele, nem ninguém, pode responder.

Blog no WordPress.com. | Tema: Motion até volcanic.
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.